Textos, ensaios & entrevistas | Imagens sem peso

Por Guilherme Gutman

Em cada uma das revistas que nós – psiquiatras, psicólogos e psicanalistas – habitualmente lemos, há certas seções que podem, à primeira vista, parecer de menor estatura, isto é, secundárias em relação a outras seções nas quais os temas abordados pareceriam mais “nobres”. Talvez se pareçam um pouco com aquele cômodo sobressalente em uma casa de muitos e bem guarnecidos quartos; eternamente à espera de um hóspede improvável que, finalmente, se serviria de seu mobiliário modesto. Ou talvez tenha status similar àquelas disciplinas de certos cursos universitários – medicina, por exemplo – que parecem ocupar com timidez certas brechas porventura não preenchidas pelas disciplinas “pesos pesado” tais como anatomia ou fisiologia. A própria psiquiatria – é o depoimento de alguns psiquiatras – parece ocupar um lugar meio gauche quando comparada a especialidades “mais médicas” como seria o caso, entre outras, da cardiologia, da neurologia ou da cirurgia geral.

Essas pequeninas seções são em geral pouco lidas, da mesma forma que, pressionado pelas exigências acadêmicas das matérias de maior importância, o futuro médico raramente abrirá o livro de “psicologia médica” ou de “saúde da comunidade”, salvo já tenha sido irremediavelmente mordido pela sedução underground dessas outras disciplinas.

Alguns desses potenciais leitores não sabem o que perdem; outros, sabem exatamente o que deixam “para depois”, mas o cansaço, o elenco de prioridades ou mesmo a preguiça acabam fazendo do “depois” um “nunca”. Aos primeiros desejamos fôlego. Aos últimos, a recomendação (gasta?) de que se permitam algumas voltas por caminhos vicinais e não apenas pelas estradas principais. (Leia mais aqui.)

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