Textos, ensaios & entrevistas | Que tal trocar de corpo? Ganhar um novo?

Por Andréa Vilanova

Esta poderia ser a interrogação mais promissora num mundo que faz do corpo um deus, tomando-o como o suposto fundamento de uma ciência da felicidade, como propõe Laurent numa entrevista. Trata-se de uma realidade que beira a ficção em nossos tempos onde o encontro com o universo ilimitado da técnica produz em larga escala respostas rápidas para conflitos psíquicos de toda ordem.

Diante desta promessa, Adam, protagonista do conto O Corpo de Kureishi, vislumbra a perspectiva de livrar-se dos infortúnios da relação com seu corpo. O autor nos oferece como protagonista um escritor de mais de sessenta anos, às voltas com os impasses, nada datados, da relação com o corpo próprio condenado à decadência e à dissolução, uma das fontes do mal-estar fundamental, como anunciou Freud. O que o autor parece destacar, localizando num tempo em que o declínio físico exacerba os enfrentamentos do vivente com seu corpo habitado pela linguagem, é a condenação do humano aos impasses com o desejo. Em qualquer idade sempre podemos estar às voltas com a idéia de um paraíso perdido. Há uma festa para a qual não fomos convidados. (Leia mais aqui )

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