Crônica

O que se faz do olhar que abriu e fechou,

da anotação em que não se reconhece mais a própria letra,

do barco que atravessou o pedaço de mar justo naquela hora?

Chinelo perdido (ficou um pé),

livro emprestado,

beijo roubado,

o que se faz?

E o encontro marcado sem a sua presença, presa no trânsito, no tempo, no carro…

O bolo dos minutos que se desfazem, os minutos que também passam pra você, longe longe do que se marcou.

E as calças que não cabem,

e os pregos que entortaram,

e o espelho que caiu nas mil imagens de si mesmo?

Você,

pele em que se concentram, disparatadas, todas as mãos que te tocaram,

boca feita de dedos e línguas que guardam um calor essencial

(calor de tempo quase eterno, se não fosse por você ser um mortal feito das marcas que pedem as lembranças do que está por vir).

Alice C.

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