Casquinha | Redes de valorização da vida

A publicação Redes de valorização da vida reúne artigos produzidos por organizações do Rio de Janeiro que, articuladas em rede, colaboraram com as ações desenvolvidas no âmbito do projeto Redes de Valorização da Vida, executado pelo Observatório de Favelas a partir de parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos através da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O projeto se desenvolveu em um contexto caracterizado por forte preocupação da sociedade civil organizada e das autoridades públicas com relação ao avanço contundente dos homicídios entre adolescentes e jovens nos últimos 20 anos. Este fenômeno tem se manifestado, em particular, nas favelas, periferias e outras áreas caracterizadas por forte estigmatização nos centros urbanos. Além disso, se observa um grau de maior exposição a situações de violência entre aqueles adolescentes e jovens que se envolvem em redes ilícitas, em particular o tráfico de drogas, o que tem mobilizado ações específicas destinadas a este grupo.

(Trecho da apresentação do livro.)

Dentre as 11 instituições que participaram da elaboração do livro está o Digaí-Maré, com o texto “Projeto Digaí-Maré: jovens na rede do singular”, das autoras Andréa Reis e Franciele Almeida. Segue trecho abaixo.

Desde que o mundo é mundo ele não pára de mudar. Mudam as pessoas, suas relações, mudam as famílias e as cidades. Não mudam só para melhor, mas também não mudam só para pior. Cada época tem seus encantos e seus horrores. A época em que vivemos não foge a essa regra. Se por um lado colhemos os frutos de muitas conquistas da humanidade, por outro nos deparamos com situações que parecem não ter solução possível. Entre elas está o problema da violência, um do traços marcantes de nossa época, principalmente em grandes cidades como a que vivemos.

A violência, em suas variadas formas de apresentação, diz respeito a todos nós. Entretanto, no caso dos jovens que estão atravessando a rica e difícil transição entre a infância e o mundo adulto, o encontro com a violência pode produzir conseqüências decisivas. Tratar deste encontro, do tema dos jovens e da violência, não é tarefa fácil. A idéia proposta pelo projeto Rede-Rotas parece trazer algo novo. Em primeiro lugar, propor que o tráfico de drogas e todas as atividades a ele relacionadas formam uma rede com vastas conseqüências. Em seguida, propor como alternativa para os jovens a articulação de novas redes, com um novo sentido. A questão passa a ser então como articular estas novas redes. Este texto propõe uma reflexão sobre a participação do Digaí-Maré nestas redes, buscando apresentar e discutir os efeitos e limites desta iniciativa.

Para isso, depois de uma breve apresentação do projeto Digaí-Maré e de suas parcerias, tentaremos transmitir algumas das elaborações que produzimos ao longo de quatro anos de experiência clínica nos atendimentos em grupo que fazemos na Maré, buscando articulá-las a questões que envolvem os jovens e o problema da violência.

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capa LRR

Redes de valorização da vida – Rio de Janeiro

Fernando Lannes Fernandes (organizador)

Rio de Janeiro: Observatório de Favelas, 2009.

172 p.



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